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Um mapa sobre a diversidade racial e social no setor bancário será elaborado com o objetivo de verificar o racismo no ambiente de trabalho, especialmente nas agências bancárias. A decisão sobre o levantamento foi tomada nesta terça-feira, durante reunião de integrantes da Comissão de Direitos Humanos e Minorias com representantes da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), do Ministério Público do Trabalho (MPT) e do Tribunal Superior do Trabalho (TST).
O mapa, que registrará gêneros e deficiências, será feito em cada banco e levará em conta o ponto de vista dos usuários e dos funcionários, desde o alto escalão até os estagiários. No levantamento, serão analisadas a admissão, a ascensão, a remuneração e a idade dos funcionários.
A elaboração do mapa terá o apoio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Frente parlamentar
Também participaram da reunião os presidentes da Frente Parlamentar pela Igualdade Racial, deputado Luiz Alberto (PT-BA), e da Educafro, Frei Davi. A Educafro é uma rede de pré-vestibulares comunitários para afrodescendentes e pessoas carentes.
Segundo o movimento negro, há poucos afrodescendentes em cargos de chefia e até mesmo nos quadros funcionais das agências bancárias. De acordo com o deputado Luiz Alberto, o setor bancário é o que mais pratica atos de discriminação racial.
Esse dado foi constatado, segundo ele, nos inquéritos civis públicos instaurados pelo MPT nas 27 capitais do País, a pedido do Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (Iara). Segundo o instituto, o Ministério Público comprovou que só 2% de negros ocupam postos nas instituições financeiras.
Durante a reunião, houve consenso sobre a necessidade de definir um pacto de resultados imediatos quanto à questão da contratação de negros em todas as instâncias do sistema bancário.
Poucas contratações
Segundo o vice-procurador do MPT, Otávio Britto, os negros são treinados, passam por projetos nos bancos privados, mas poucos são contratados. Ele acredita que, para reverter esse quadro, as ações têm que ter a participação dos diretores e o engajamento da direção do banco. Também propôs que as metas estipuladas no pacto pela melhoria das contratações de afrodescendentes nos bancos privados sejam crescentes a cada ano.
O deputado Luiz Alberto afirmou que há incoerência nas regiões do País onde os negros são priorizados e beneficiados. Ele disse que, nos estados onde os negros tem mais chances, como São Paulo e Paraná, o número de afrodescendentes é menor. E, nas regiões Norte e Nordeste, onde o número é grande, não existe quase nenhum tipo de projeto em andamento.
O parlamentar também se queixou que o número de funcionários negros nos bancos privados é quase inexistente.
Reunião positiva
O presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), avaliou a reunião como positiva. Segundo ele, foi o início de um processo com duas vertentes: uma para o futuro, no que diz respeito ao cadastramento de estagiários e jovens em treinamento, e um mais imediato - a identificação de pessoas negras qualificadas a entrar no sistema bancário privado.
Daqui a um mês, a comissão deve reunir-se novamente com representantes dos bancos, de trabalhadores e de afrodescendentes para discutir o mapa. Greenhalgh sugeriu que seja firmado um pacto entre negros, deficientes e bancos - o que poderá trazer resultados imediatos.
Fonte: Agência Câmara