"Nunca é demais um acidente a menos" Nilton P.

Esse blog foi montado por um aluno da AM06, do Senac São José dos Campos. Um espaço dedicado ao debate da profissão e ao crescimento dos profissionais da área. Obs: Todas as vagas são de responsabilidade dos anunciantes e não do blog.

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Arquivo de: Novembro 2006, 20

20.11.06

Gênios ou bestas?

por Nelson Motta

RIO DE JANEIRO - Em plena ditadura do general Garrastazu Médici, sob rígida censura, o Brasil um dia acordou sem acreditar no que ouvia: Chico Buarque cantando “Apesar de você “ no rádio, debochando do ditador e de seu governo com furiosa ironia, lavando a alma do país amordaçado. Alguns dias depois, quando já era um sucesso nacional, a música foi proibida, a gravadora invadida e os discos quebrados. Mas a pergunta continua no ar: o censor que liberou a música de Chico – acreditando que era sobre uma mulher brava e mandona, como disse o compositor - era um idiota, um fã ou um patriota?

Já no inicio da redemocratização, Lulu Santos apresentou seu primeiro disco a uma gravadora. O diretor gostou da música, mas não do músico: “Isso não é nome de cantor pop, vamos lançar com seu nome de batismo, que é espetacular: Luís Maurício !” Claro, o disco foi um fracasso retumbante e só com seu “nome de guerra“ Lulu estourou para o sucesso. Mas ninguém sabe que fim teve aquele gênio (e besta) do marketing que acertou na música e errou nas letras. Talvez o mesmo do censor de “Apesar de você “.

Agora junta-se a eles o genial (ou bestial) burocrata que teve a idéia de dar, com dinheiro público, luxuosas maletas de couro, com fechos e segredos invioláveis, aos deputados. Foi pior - ou melhor! - que distribuir cordas, de couro e de grife, em casas de enforcados. Seria ele uma besta do puxa-saquismo oficial e do desperdício de dinheiro alheio, ou um gênio da mais fina, ou grossa, ironia?

Mas mesmo assim foi tímido: a maioria das excelências certamente preferiria malas, ainda que de plástico, mas cheias.

O presidente Aldo Rebelo cancelou a piada, mas eles ainda podem usar a verba para comprar cofres de última geração.
  • criado por  marafi criado por marafi
  • Postado em 18:26:20

19.11.06

Roda Viva, dia 20/11/06

categorias: Notícias
Emanoel Araújo
diretor Museu Afro-Brasil


Segunda-feira, dia 20, comemora-se 35 anos do dia Nacional da Consciência Negra. A data foi escolhida por ser o dia da morte de Zumbi, líder do Quilombo de Palmares e símbolo da resistência negra contra a escravidão, assassinado em novembro de 1695.

A abolição da escravatura foi em 1888, mas até os dias de hoje a diferença se vê na sociedade. A população negra recebe salários médios menores que os brancos; o rendimento médio de uma família negra é menor do que de uma família branca; a taxa de desemprego é maior entre os negros; e a taxa de analfabetismo entre os negros e pardos é o dobro do que entre os brancos.

O entrevistado do Roda Viva é o baiano Emanoel Araújo. Artista plástico, ele nasceu em 1940 e teve a sua primeira exposição individual em 1959. Foi diretor do Museu de Arte da Bahia, professor de artes gráficas e escultura nos Estados Unidos e editou livros como "A Mão Afro-Brasileira", um levantamento da contribuição do negro à cultura nacional.

Emanoel Araújo ficou por dez anos na diretoria da Pinacoteca do estado de São Paulo. Durante o período restaurou o prédio, organizou grandes exposições no local e aumentou o número médio de visitas por mês de 2 mil para mais de 30 mil.

Em 2004, Emanoel Araújo inaugurou o Museu Afro-Brasil, no parque do Ibirapuera, em São Paulo, com mais de mil itens da coleção reunida por ele próprio. A iniciativa, inédita, era de contar, resgatar e contextuar a história dos negros.

Participam como convidados entrevistadores:
Dulce Maria Pereira, e mbaixadora e presidente da Interforum Global; Peter Fry, antropólogo e professor do departamento de antropologia da UFRJ; César Giobbi, colunista do jornal O Estado de S. Paulo e apresentador do programa Planeta Cidade, da TV Cultura; Oswaldo de Camargo, jornalista, escritor e coordenador de literatura do Museu Afro-Brasil; Ligia F. Ferreira, professora da Faculdade De Filosofia, Letras E Ciências Humanas da USP e diretora do Centro de Línguas da USP.

Apresentação: Paulo Markun
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  • Postado em 23:39:36