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RIO DE JANEIRO - Os suplentes de deputado que vão ganhar 85 mil reais para não fazer nada no verão, a não ser empregar parentes, dizem que está tudo legal. E para eles deve estar mesmo, legal à beça. Mas privilégios imorais e indecentes não se tornam mais aceitáveis ou menos odiosos só porque foram transformados em lei, pela ação dos lobbies e dos bandidos da causa própria que infestam o Congresso. Pelo contrário, fazem ainda mais covardes esses “representantes do povo“ que se valem das suas próprias leis para roer o nosso dinheiro como ratos. São todos ladrões, metafóricos alguns, mas são.
Como qualquer cidadão de bem, combato essa alta ralé, mas tenho consciência de nossa impotência. De nada adianta denunciá-los, desmoralizar, ridicularizar, xingar, processar, esculhambar, sacanear, ameaçar ou mesmo lhes dar bengaladas: eles limpam as cusparadas e fingem que não nos vêem, fogem de nós, mudam de assunto, mas não largam o osso.
E ainda temos que ouvir os políticos semi-honestos e “sensatos” de sempre, sempre no poder, nos advertindo que é perigoso desmoralizar o Congresso, se é ruim com ele, pior sem ele. Como se estivéssemos condenados a ser mandados e explorados pelos nossos empregados, pelos que pagamos com nosso trabalho para que defendam nossos direitos.
Minha única esperança de vingança é que, numa praia qualquer e sem ter o que fazer, eles leiam essas palavras e, ainda que por instantes, fiquem furiosos e indignados, se sintam incomodados, ofendidos e injustiçados, que rasguem o jornal e me detestem como eu a eles. Que, num salão de beleza com as amigas, suas mulheres e amantes leiam e chorem de raiva e, nas suas escolas, diante dos colegas, seus filhos se envergonhem de suas sem-vergonhices legais.