| S | T | Q | Q | S | S | D |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 |
| 8 | 9 | 10 | 11 | 12 | 13 | 14 |
| 15 | 16 | 17 | 18 | 19 | 20 | 21 |
| 22 | 23 | 24 | 25 | 26 | 27 | 28 |
| 29 | 30 |
Nelson Motta
SALVADOR – Aqui se acredita que o Carnaval baiano é o melhor porque é o maior e mais democrático, por se espalhar por toda a cidade e ser igualmente desfrutado por dois milhões de pobres e ricos, brancos e pretos, jovens e velhos de todos os sexos.
Em relação a um sambódromo com 60 mil pessoas, uma boa parte abrigada em camarotes luxuosos e exclusivos, a folia baiana é mesmo o esplendor da democracia carnavalesca, essa invenção brasileira.
Ao contrário da passarela do samba, nos circuitos dos trios elétricos, tanto os vips, abonados e turistas dos camarotes, como os sem-nada que estão do outro lado da corda, na calçada ou na “pipoca“ atrás do trio, ouvem, cantam e dançam com os mesmos artistas que passam oferecendo alegria, diversão e arte para todos.
A Bahia também avança na diversidade musical: Gilberto Gil trouxe a bateria da Grande Rio e o samba carioca com Zeca Pagodinho e Alcione, Daniela Mercury cantou com o gaitista gaúcho Renato Borghetti e a cantora lírica Cristina Sorrentino, o inglês Fatboy Slim, um dos maiores DJs do mundo, misturou eletrônica ao batuque, Carlinhos Brown homenageou os 100 anos do frevo pernambucano. Nos outros circuitos da cidade o povo se diverte com sambas, marchinhas e blocos afro. O carnaval baiano acreditem, tem até axé.
Claro, não há no mundo musical nada comparável a uma grande bateria de escola de samba carioca, mas ouvir um mesmo samba-enredo, às vezes bem chato, cantado durante 80 minutos na Sapucaí, dá alguma inveja da diversidade baiana.
A democracia carnavalesca só não chegou ao crime: em sete dias, o pessoal dos hotéis e camarotes pode se divertir em paz, mas foram 60 os arrastões em ônibus, quase todos na periferia pobre, onde ocorreram 19 das 21 mortes.
criado por marafi
16:39:41