08.08.06
Dicas - continuação
Casos reais:
Barrados na Entrevista
(reportagem publicada na Folha de São Paulo 06/07/97)
O "headhunter" (caçador de talentos) apostou todas as fichas nele: parecia ser o executivo ideal para ocupar o cargo de diretor de marketing da Pepsi. Mas, no almoço em que foi apresentado ao vice-presidente mundial, cometeu uma gafe: pediu uma Coca-Cola.
Na Souza Cruz, foi pior. Praticamente contratado, o candidato a um alto cargo na multinacional visitava a fábrica, acompanhado do presidente, quando, após o cafezinho, sacou um Marlboro, da concorrente Philip Morris. Resultado: também foi barrado na entrevista.
Radicalismos à parte, os exemplos mostram que um ótimo currículo não é suficiente para conquistar uma vaga. A consultora Suzana Doblinski, 31, afirma que os 30 segundos iniciais de uma entrevista são decisivos: "É a primeira – e talvez a única – oportunidade para causar uma boa impressão".
O consultor Winston Pegler, 52, vai além. "Tudo o que o candidato faz e fala está sendo analisado". Por isso recomenda-se bom senso nos comentários, exatamente o que faltou à microempresária Sílvia Cristina Lourenço Brusco, 373, que, depois de deixar a Telequipo, tentava colocação na concorrente. Sílvia conta que foi indagada sobre como era a empresa em que trabalhou. Sem experiência em entrevistas, não mediu palavras: falou que seu ex-chefe bebia demais e que os funcionários eram mal remunerados. O entrevistador agradeceu a honestidade, mas foi direto: disse que ela não era confiável.
Às vezes, a apresentação pessoal é tudo. A psicóloga Anete Maria Atti Giusti, 48, não se esquece do terno verde-abacate de um candidato a gerente. "O cliente não quis nem entrevista-lo".
Há quem consiga reverter em tempo uma mancada. Pegler conta que chamou um executivo para ser entrevistado. Ao entrar na sala, ele sentou-se na cadeira do entrevistador e após 15 minutos se deu conta do erro. Desculpou-se e pediu que continuasse no dia seguinte. Acabou sendo admitido porque preenchia todos os pré-requisitos listados pela empresa. A gafe, neste caso, jogou a seu favor: "Ele mostrou humildade para reconhecer erros e criatividade para sair de situações embaraçosas".
Na busca por uma vaga de estágio ou de trainee, nem mesmo os jovens escapam do olhar crítico dos selecionadores. Embora mais maleáveis, desclassificam sem pensar duas vezes aqueles que entram para a entrevista ouvindo "walkman" e mascando chicletes.
"A apresentação, a postura e a verbalização são elementos que uma boa parte dos jovens ainda não está acostuma a levar em conta", diz Sonia Maria Alves, 37, gerente da Central de Estágios.
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(*) Paulo Roberto Vieira
Atua há mais de 12 anos como profissional da área de Recursos Humanos
Atualmente é Coordenador de Recursos Humanos da Siac do Brasil S/A
Especializando em Gestão de Recursos Humanos pela Universidade Cândido Mendes, do Rio de Janeiro
Professor, desde o ano de 1998, do Instituto de Ensino Superior de Mococa, atualmente Faculdades da Fundação de Mococa – FaFEM
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criado por marafi
16:19:00